O Complexo materno, uma barreira a ser vencida.

 

Muitas vezes projetamos no parceiro ou na parceira algo que não deveríamos, porém a projeção não faz parte da consciência e sim do inconsciente, por isso não criamos a projeções, conforme Jung explica:

 

 

Como se sabe, não é o sujeito que projeta, mas o inconsciente. Por isso não se cria a projeção: ela já existe de antemão.

E Jung continua:

Mas que fator projetante é este? O oriente dá-lhe o nome de “tecedeira” ou maia, isto é, a dançarina geradora de ilusões. Se não soubéssemos disto há bastante tempo mediante os sonhos, esta interpretação nos colocaria na pista certa: aquilo que encobre, que enlaça e absorve, aponta inelutavelmente para a mãe – no sentido daquilo que atua como símbolo de tudo que atua como mãe -, isto é, para a relação do filho com a mãe real, com a imagem desta, e com a mulher que deve tornar-se mãe para ele. Seu eros é passivo, como é o de uma criança: ele espera ser captado, sugado, velado e tragado. Ele procura, de certo modo, a órbita protetora e nutridora da mãe, a condição de criança de peito, distanciada de qualquer preocupação com a vida e na qual o mundo exterior lhe vem ao encontro e até mesmo lhe impõe sua felicidade. Por isso não é de se espantar que o mundo real se lhe retraia.
Se dramatizarmos este estado, como o inconsciente em geral o faz, o que vemos no proscênio psicológico é alguém que vive para trás, procurando a infância e a mãe, e fugindo do mundo mau e frio que não quer compreendê-lo de modo algum. Não poucas vezes se vê, ao lado do filho, uma mãe que parece não ter a mínima preocupação que o filho se torne um homem adulto, e cuide de tudo com infatigável devotamento e nada omite ou negligencia do que possa impedir o filho de tornar-se homem e casar-se. Observa-se o conluio secreto entre mãe e o filho, e o modo pelo qual a primeira ajuda o segundo a mentir perante a vida.
De que lado a culpa está? Do lado da mãe ou do filho? Provavelmente de ambas as partes. É preciso levar a sério o irrealizado anseio que o filho sente de viver e amar o mundo. Ele gostaria de tocar o real com as mãos, de abraçar a terra, fecundar o campo do mundo. Mas apenas é capaz de impulsos impacientes, pois a secreta recordação de que pode receber o mundo e a felicidade – isto é, da parte da mãe – paralisa suas forças propulsoras e sua perseverança.

Quando se vence os laços maternos, vem um próximo passo. Jung explica que

O fator determinante das projeções é a anima, isto é, o inconsciente representado pela anima. Onde quer que se manifeste: nos sonhos, nas visões e fantasias, ela aparece personificada, mostrando deste modo que o fator subjacente a ela possui todas as qualidades características do feminino. Não se trata de uma invenção da consciência; é uma produção espontânea do inconsciente. Também não se trata de uma figura substitutiva da mãe. Pelo contrário: temos a impressão de que as qualidades numinosas que tornam a imagem materna tão poderosa originam-se do arquétipo coletivo de anima que se encarna de novo em cada criança do sexo masculino.

Trouxe um exemplo no vídeo para tentar deixar um pouco mais claro como esse complexo materno pode se formar de forma negativa e como ele se torna a imago da mulher que o homem passa a projetar.

Historia sobre complexos - O complexo materno e projeções.
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Published at 2019, January 07
Quando Jung começa a explicar a sizígia fala que não poucas vezes se vê, ao lado do filho, uma m
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Ref. Aion – Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo, pg 23

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Daniel Gomes
Daniel Gomes
Psicoterapeuta Junguiano
Especialista em psicologia junguiana e psicologia transpessoal
Master em programação neurolinguística - PNL
Formação em processo de memorias profundas - DMP

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